A juniorização do marketing e o paradigma da presença das marcas

O consumidor se conectou. Ele está conectado aos outros consumidores, conectado a marca, conectado ao seu produto, ao seu canal, àquilo que falam sobre você, porque ele fala sobre você. Não há mais divisão: o canal é digital (ou está se tornando digital), é onipresente, multiplataforma, multitarefa, multimomento e fica na palma da sua mão ou ao alcance dos seus dedos. Então, por que muitos profissionais de marketing continuam pensando na marca, no produto, na empresa de maneira isolada, como partes independentes de um todo que nem sempre segue na mesma direção? Será que o velho ditado ‘dividir para
conquistar’ também vale para a gestão de negócios? Tenho certeza que não.

A ‘juniorização’ do marketing é um fenômeno do século XXI. Embora o próprio marketing, ou estudo do mercado, mercadologia, seja uma disciplina jovem com no máximo 50, 60 anos, talvez nunca pensamos tanto em como vender mais e melhor. Mas a maioria sabe o que está fazendo? Ou pelo menos se esforça para crescer, aprender e não cometer os erros do passado, bebendo da experiência dos casos de sucesso daquelas empresas e profissionais que fizeram a diferença?

Infelizmente, vemos muito menos exemplos sendo seguidos do que erros cometidos em uma economia pulsante e rica como a nossa pode ser. Apesar da acomodação de muitos ‘profissionais’, o consumidor não é mais o mesmo. Ele muda suas vontades e expectativas rapidamente. De manhã toma café na livraria, de tarde compra seu e-book pelo smartphone. O mundo é plano, não há mais fronteiras definitivas do idioma ou da geografia, e o consumidor evolui, aprende, muito mais rápido que qualquer empresa ou profissional, isoladamente, consegue acompanhar. Mas o que fazemos, nós, profissionais de
marketing, nessa hora?

Primeiramente, devemos tomar cuidado com o ‘Mal de Rafael’. Há alguns anos, na época em que cursei minha pós-graduação na ESPM, fui apresentado pelo meu querido e eterno professor Romeo Busarello a um artigo do, não menos genial, Jaime Troiano. O texto tratava da história do Rafael, jovem que colocava suas verdades pessoais sob a ótica de uma verdade absoluta. Admitir que suas experiências e conhecimentos, isoladamente, são suficientes para tomar decisões sobre os rumos de um negócio é, no mínimo, ingenuidade. (Artigo ‘O marketing narcisista e o mal de Rafael’, de Jaime Troiano, pode ser lido no endereço http://bit.ly/Wm951x).

Em segundo lugar, o marketing, em sua essência, é uma área de suporte e serviços na maioria dos negócios. É como o RH ou o Contador, precisamos deles, mas não são eles isoladamente que tornam nossa empresa melhor e mais competitiva. É a reunião de atributos (produto, preço, praça, promoção) entre outros elementos como relacionamento, suporte e pós-venda, que fazem uma empresa vencedora. Portanto, se você tem teto de vidro e não está preparado para levar pedradas do mercado, faça a lição de casa e prepare seu negócio para dias de sol, chuva e granizo.

Não diga que não vai errar, mas garanta que vai se esforçar para corrigir eventuais erros. Tenha foco, não tente resolver todos seus problemas de uma só vez. Preparar uma empresa  para ser líder em seu mercado envolve tempo, conhecimento e investimentos.

Por último, entenda que, como o consumidor, tudo em sua marca e produtos está conectado. Os valores e crenças do seu negócio precisam estar refletidos naquilo que você oferece ao mercado, da mesma maneira que seus canais de contato, vendas e relacionamento, mídia, promoções e conteúdo precisam contar uma só história, a história que faz seu produto ou serviço ser maior e melhor do que todos, ou pelo menos melhor do que a maioria do que encontramos por aí.

Portanto, mudar a visão de ‘produto’ para uma visão de ‘presença’ é um passo fundamental para as marcas que entenderam que ‘ser encontrável’ é prioridade na comunicação, e que hoje, mais importante do que tentar vender, é importante ajudar o consumidor a comprar melhor.

 

Paulo Schiavon é colecionador de boas ideias e diretor da @AgenciaEnken, responsável pelas áreas de Planejamento, Mídia, Inbound Marketing e Performance, além de palestrante e professor de Marketing Digital.

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