Metodologias na Publicidade. E agora?

É muito comum ouvirmos que as empresas, principalmente as que atuam na área de Tecnologia da informação (TI) ,  utilizam alguma metodologia específica na gestão de seus projetos.

Realmente, é inegável a quantidade de vantagens que uma metodologia de mercado traz no encaminhamento  dos projetos e processos de uma empresa. Ajuda a controlar prazos e custos, alocações de recursos e facilita o entendimento do cliente nos Goals do projeto.

Mas será que tais metodologias, criadas principalmente para o mercado tecnológico e com a principal premissa de organizar um processo, devem ser usadas no mercado publicitário, uma vez que tendem a padronizar as etapas destes processos e o mercado publicitário, que é essencialmente criativo, precisa de mais flexibilidade?

Explico: Um projeto de TI é matemático. Basicamente se resume em inserir dados e gerar relatórios com as informações que o cliente quer ver, na prática, gerando os resultados esperados (ou previstos).

Já no mercado publicitário a coisa é um pouco diferente.

Além das agências mostrarem resultados práticos, consideram também a qualidade gráfica e gosto pessoal do cliente, porque o sistema pode mostrar o resultado, mas pode não agradar visualmente, por exemplo.

Estes movimentos entre a agência e seu cliente podem acarretar desvios nas etapas planejadas, ansiedade e, às vezes, certa frustração pelas inevitáveis alterações no cronograma inicialmente elaborado.

Os projetos também são relativamente menores e normalmente a área solicitante é o Marketing, então os escopos e especificações técnicas transformam-se em especificações funcionais simples, dificultando muito a produção da área de TI da agência, e deixando muitos itens sub-entendidos. O cliente acha que comprou uma coisa, a agência acha que vendeu outra e TI desenvolve outra. Este é um cenário caótico presente em muitas empresas no Brasil.

O que eu quero dizer com tudo isso?
Simples:  são projetos diferentes! Um da área de exatas, outro da área de humanas.

Sendo assim, a maior dificuldade é obedecer todos os passos da metodologia escolhida, uma vez que o gosto pessoal deve ser colocado nesta equação e não é possível mensurá-lo.

Hoje, a bola da vez é o SCRUM. Todos querem utilizar os conceitos de Release Backlogs e, principalmente, o Burndown Chart.

Mas como fazer quando seu projeto inteiro é do tamanho de 3 ou 4 sprints, seu prazo é muito mais curto do que deveria e o cliente pode mudar tudo à 8 horas do Go-Live? Ou se o seu projeto está sendo desenvolvido em parceria com um cliente ou fornecedor e existe uma fase de integração entre as soluções? Voltamos ao bom e velho RUP, com suas entregas de artefatos pontuais? Ou até mesmo se você perder uma pessoa chave no time.. Recorrermos a um dos pilares do PMI para realocação dos recursos da sua equipe?

Qual a solução para todas estas questões?

Depois de mais de 15 anos gerindo projetos, descobri que o melhor para o mercado publicitário com tantas variáveis é um formato híbrido. Não é viável engessar o projeto como se pode  fazer em TI. Porém, também não se pode deixar arestas tão salientes, a ponto de não se ter controle algum sobre os processos de um projeto.

Acredito em olhar para o cliente e suas expectativas como prioridade.

Flexibilize-se!  Volte-se para o cliente, não para o processo.

Ricardo Pugliesi é Diretor de Projetos da Agência Enken e divide seu tempo entre o vídeo game, alguns ensaios e gravações em estúdios com diversas bandas, viagens de moto e, claro, não dispensa bons momentos de sono.

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